18 de março de 2009

Pensamento

Vou comer
Até não puder
Vou fuder
Até não mais querer

Som

Estava eu fudendo
Até ia comendo
Nesse dia horrendo
Onde ia morrendo.

Um som ouvi
Na janela eu vi
Um homem a fuder
Uma mulher a gemer

Cá a casa um policia veio
Levou-me para o passeio
Onde um berro mandou
Até de um crime me acusou.

Ele apertou-me os seios
Eu nada mais fazia
Só gemia
Tentando fugir com todos os meios

Gato

Na rua um gato vi
Para ele olhei,
A esquina eu virei
E no poste bati

Para casa quis ir
Mas num carro bati
Para cá já não pude vir
Fui para o hospital que até me fudi.

Desilusão

Ninguém me compreende
Nem eu sei o que ainda me prende
Será paixão?
Ou será só a imaginação?

Não suporto mais isto
Já pouco resisto
Não consigo viver desta maneira
Não me passa esta canseira.

Lua

Num dia para a lua olhei
nela o teu reflexo vi
Naquele pensamento me perdi
Só na tua imagem me foquei.

Dia

É de madrugada
O telefone tocou
Alguém berrou
Mas que cagada.

Já são onze da manhã
Só acordei agora,
Ao lado o bebé já chora
Lá em baixo já está o clã.

É hora de almoçar
É hora de apanhar
Aqui ao lado é sempre a dar
É sempre a somar.

Na casa de banho tropecei
À banheira fui parar,
O chão caguei
Só me apetecia era chupar.

Já está a anoitecer
O dia passou depressa
Nem consigo descrever
Esta dor que me atravessa.

Fui cedo para a cama
Dói-me a mama
E de repente reparei
Que com um tiro apanhei.

3 de março de 2009

Madrugada

É de madrugada
Não consigo dormir
Não pára a trovoada
Só me apetece fugir.

Estou tão confusa
Não sei o que fazer
Não sei como te dizer,
Sinto esta dor que me cruza

Já perdi muita gente,
Mas a tua partida deixa-me doente,
Não tenho mais forças para lutar
Não tenho mais forças para recomeçar.

Não sei o que fazer
Esquecer-te é impossível
Ir ter contigo é possível
Ficar assim é que não pode ser.

O reencontro fez-me ver
Como a tua ausência me faz sofrer,
Porque é que não estás aqui?
Já não sei viver sem ti.